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17 julho 2011

Não existe mãe perfeita. Mas amor materno existe sim!

A Revista Veja desta semana apresenta nas "páginas amarelas" uma entrevista que me fez refletir. A entrevistada é a filósofa francesa Elisabeth Badinter e, independente de concordar com ela ou não, fiquei bastante impressionada com suas respostas. Elas realmente bateram firme em muitos de meus pensamentos.
Não acredito realmente que mulheres que abrem mão de seus sonhos profissionais para tentarem ser uma mãe perfeita consigam ser felizes já que, como mãe perfeita não existe, elas acabam frustradas. E acredito que uma mulher que deixa a maternidade de lado por acreditar que as pressões são tantas que não vale nem a pena tentar, também não consiga sentir-se completamente realizada.
Precisamos muito derrubar esse conceito de mãe perfeita. Ela não existe, lógico que não! E essa idéia acaba fazendo muita gente ficar triste. 
Mas, acho que a receita para uma mulher ser feliz, num mundo de tantas pressões e cobranças, é bem mais simples do que a renomada filósofa acredita.
Cada pessoa, em cada cultura, família e estilo de criação pensa de forma diferente mas, no fundo, todas somos iguais. 
Para ser uma mãe feliz e realizada, primeiro precisamos desejar ter um filho. Nem digo que obrigatoriamente devemos gostar de crianças e ser apaixonadas por bebês porque, antes de ser mãe eu desconhecia completamente esse universo pelo qual agora sou apaixonada. Hoje amo bebês, crianças, barrigas de grávida e tudo que diz respeito ao assunto. 
Ainda assim, vamos supor que o filho não tenha sido desejado ou planejado. Será um momento de fazer escolhas difíceis. Mas, o amor, e somente ele, vai ensiná-la a aceitar e, finalmente, a desejar essa criança, salvo raras exceções que vemos por aí.
A partir daí, em ambos os casos, o que vai estar rolando trata-se da realização de um sonho, e as coisas dão certo e passam a caminhar. A gente começa a se sentir segura e feliz. 
Mas, a vida real não é fácil. Quando o bebê nasce, além do filho, tem marido, casa, trabalho, família, cachorro, obrigações sociais e mais mil coisas que nos são exigidas. E é preciso entender que para todas elas, chega uma hora em que precisamos dizer um não. E não precisa ser um não definitivo, nem um nãozão. As vezes, basta cancelar um jantar que não se está a fim de ir, desligar o telefone que pode tocar quando você está descansando, desacelerar e contar com amigos na hora do trabalho, dividir as funções da casa com o marido. 
Os primeiros anos de maternidade são muito difíceis para todos os envolvidos e principalmente para nós. Tendemos a achar que não temos limites, mas logo descobrimos que temos. Por bem ou por mal. E nos frustramos. Ora, por que é tão difícil aceitar que não precisamos nem podemos ser perfeitas? Respeitemos isso. E que os outros respeitem também. 
E esse é o primeiro passo para a felicidade na vida no sentido mais amplo, eu acredito. Quando a gente se ama e se respeita, nas vontades e nos limites, as pessoas percebem, reconhecem e passam a nos respeitar também. E entre essas pessoas, pode incluir seu filho. Ele também precisa entender que não somos super-heroínas, que nos cansamos, que ficamos tristes e que a vida lá fora não é fácil. Costumo dizer que tudo isso é vivência para eles. Da melhor possível e existente.
Mas, entre tudo que a filósofa disse, a única que me deixou desconcertada foi ela afirmar e "comprovar" com fatos históricos que o instinto materno não existe. Será mesmo ele uma idéia concebida no século XVIII? Isso talvez explicasse tantas mães que não desejam seus filhos, ou que os maltratam e os jogam à própria sorte. Talvez, realmente isso seja absolutamente cultural, um conceito pré-definido e plantado, ou mesmo, quem sabe, um sintoma claro de evolução de nossa espécie. Talvez ela tenha uma certa razão. 
Mas, na minha mais humilde opinião, amor materno realmente não é instintivo. Na verdade, ele é mesmo divino. Vem lá de cima. E não precisa ser filósofa pra saber disso. Basta ser mãe, com todos os prós e contras, com todas as pressões e dificuldades, com todas as dores e noites insones, mas com toda a beleza e amor do mais sublime e especial existente. Esse tipo de amor não é normal. É excepcional, é maravilhoso. E é com ele que devemos criar nossos filhos, ensinando-os, na prática, a mais linda e perfeita lição que já nos foi ensinada, que foi a de amar nosso próximo como a nós mesmos! Perceberam como tudo se encaixa? É isso! 
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