O retorno de Paris foi mais longo do que eu imaginava. Houve atraso na saída do vöo, atraso no pouso, atraso para passar pela Receita Federal e até atraso para meu taxi chegar. Com a ansiedade que eu estava para botar os pés em casa, tudo isso foi multiplicado por dois.
O que estava previsto para acontecer às oito da manhã, acabou acontecendo às onze. Mas, não foi menos emocionante por isso.
Você dormiu até dez e meia da manhã. Parece que queria esperar para ver se o destino deixava eu cumprir minha promessa de te acordar. Como não rolou, você acordou, mamou, trocou de roupa e desceu com o Papai, a Vó Beth e a Biga para me ver chegar.
O taxi então entrou na nossa rua e começou a tocar na minha cabeça a música "O Portão" do Roberto Carlos. Vocês três atravessavam a rua e avistaram o carro. Correram então em minha direção.
Estava um dia lindo de sol, céu azul e frio. Por ser domingo de manhã, a rua era só nossa. Seu sorriso foi o mais lindo que você já deu e seu abraço foi o mais longo e forte que eu jamais recebi.
Você parecia não acreditar estar me vendo! Não demonstrou qualquer sentimento de tristeza ou revolta, não fez birra ou ganja. Você foi perfeito!
Subimos e você me cobrou seu presente. Ganhou uma pista de trilhos de madeira do Thomas e ficou encantado com ela. A casa estava com uma energia tão boa que devia brilhar pra quem olhava de lá de fora.
Contei minhas novidades, abrimos as malas, mostrei minhas fotos, pedimos um yakissoba e almoçamos.
A Vó Beth me mostrou um calendário que ela fez junto com você para contarem os dias até a mamãe chegar. Ficou lindinho e acredito que tenha sido muito útil para você entender a me esperar.
Tiramos um cochilo, comemos pizza e finalmente a noite chegou. Como em todas as noites, você adormeceu em nossa cama. Mas, naquele domingo, quando te levei para seu quarto você despertou e docemente me pediu para dormir na minha cama. Voltamos ao meu quarto, você se deitou entre o papai e a mamãe, e a Biga se acomodou entre os meus pés.
Foi uma cama compartilhada como há muito tempo não fazíamos. E dormimos bem demais.
Ao acordar de manhã, você passou os dedos entre os meus cabelos, e eu pude sentir aquele cheirinho gostoso da sua boquinha de chupeta. Você me olhou nos olhos e me disse que me amava e curtiu muito acordar com a família reunida.
A vida então voltou ao normal. Você brincou, almoçou, foi à escola e voltou ainda mais apaixonado.
Viajar fez bem demais a todos nós. Percebemos como nos amamos e como somos importantes uns para os outros. Soube que nos dias em que eu estive fora, você brincou, se alimentou direitinho, dormiu muito bem e em alguns momentos sentiu a minha falta mas, que logo a tristeza passava. Você se mostrou um menino seguro, independente e confiante. Cercado do amor do pai, do avô e das avós, conseguiu me dar tranquilidade para passear e aproveitar minha viagem. E ainda me mandava lindos beijos pelo Skype.
Realmente, chegamos a conclusão, eu e seu pai, de que estamos fazendo um bom trabalho.
Filho, você é demais! Família, vocês são tudo!
Filho, você é demais! Família, vocês são tudo!
