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29 setembro 2014

E a escola, Sofia? Como vai?

Muito bem, obrigada! 
Como eu já disse acho que dezenas de vezes por aqui, ser mãe de mais de um filho é uma coisa muito louca. Ainda fico pasma com isso... Afinal, toda referência de maternidade que eu tinha era o Lucca.
Portanto, com a chegada da Sofia, bastaria pegar aquela receitinha e aplicar. Bem mais fácil, né? Não, não é.
Desde que a Sofia chegou aqui em casa e até hoje, por várias vezes, ainda me pego repetindo comportamento que tinha com o Lucca e quebrando a cabeça por não saber o que estava fazendo de errado. Daí me lembro que Sofia não é Lucca e tudo volta ao normal.
Acho que se ela pudesse falar, desde o primeiro dia já diria: "Não só não sou o Lucca como sou e serei o oposto dele. Se prepara pra isso!" :)
E é bem por aí. Ela tem outros gostos, outras vontades, afinal ela é outra pessoa. 
Demorei a entender e a me encontrar com a Sofia. Nosso vínculo, acredito que por conta disso, demorou um pouco a deslanchar. Ficava sempre achando que ela não me amava por ser tão independente, não querer dormir no meu colinho. Confundia tudo! É realmente muito difícil.
Então, seguindo essa linha, como não podia deixar de ser, desde o primeiro minuto a Sofia já amou a escola. 
Se sentiu confortável, a vontade. Nos dois primeiros dias estranhou um pouco, deu umas reclamadas mas não quis colo, não. Só a mão da Tia Ju já bastava pra ela.
Ficou uns dez dias ser ir por conta de uma gripe e quando retornou parecia que já estudava lá há anos! Amou voltar.
Adora o tio da porta, quando o vê fica toda feliz, porém contida porque também não é de se exceder muito nas emoções. 
Aproveita muito as atividades e a língua já começou a se soltar mais. Ela repete tudo que a gente pede, canta várias músicas do jeitinho dela, portanto, existe uma evolução e assim vamos indo.
Fica muito feliz na hora de ir e chora pra vir embora. Um barato.
Portanto, estamos muito felizes e satisfeitos. Nossa garota, minha calabresinha, é realmente muito forte, segura e confiante. E enfrentou com louvor seu primeiro desafio.
Parabéns, minha flor! Seja feliz na nova fase! 

 No elevador uma foto bem ao estilo #partiuEscola - primeiro dia!

 Já na entrada, seguiu tranquila com a Tia Glau

 E na saída, muito feliz, com a Tia Ju

Fomos então buscar o irmão e a felicidade ficou completa

Nos dias seguintes já foi assim. Vai com o Tio e nem olha pra trás!

Na saída com o papai, todo orgulhoso!

25 abril 2013

Angústia da Separação, Dentes e Engatinhar: tudo junto e misturado!




Há dois dias a Sofia começou efetivamente a engatinhar. Isso, ao mesmo tempo em que mais dois dentinhos superiores estão rasgando e ainda durante a famosa "angústia da separação".
Minha relação com a Sofia é muito interessante. Ela é diferente daquela que eu tinha com o Lucca na idade dele. Acho que as coisas agora são mais leves, menos intensas...
Ela é tão independente, tão tranquila, que as vezes acho que ela nem liga muito pra mim... Ela tem sua rotina (feita por ela - a diferença do segundo filho), ela muitas vezes adormece sozinha, e, acordada, se colocada no chão com vários brinquedos, é capaz de ficar ali por mais de hora se distraindo, descobrindo texturas, cores, orifícios e formatos.
Daí que ontem saí seis horas da manhã de casa para ir a um compromisso em SP e retornei só as sete da noite. Ela não me viu acordada. Eu, antes de sair, ainda dei mamá pra ela e passei pelo quarto do Lucca para dar-lhe um beijinho. Mas, ela não me viu... E quando acordou, segundo a vovó me contou, ficou manhosa e passou assim o dia. Não comeu direito, não fez suas sonecas. Quis muito colo e certamente se já pudesse falar, pediria a presença da mãe, imediatamente. Apesar de ficar triste por ela, me senti feliz por já ser reconhecida como mãe... 
Bom, o resultado disso foi uma noite cheia de sobressaltos, com a Sofia acordando muito, chorando, assustada, até me ver e receber um carinho e voltar a dormir. Foram mais de dez vezes. E eu lhe dei muito colo, muito amor, em todas as vezes. Até que às seis da manhã ela entendeu que eu não iria sumir mais e dormiu profundamente até as dez.
Ela já entendeu que não é uma continuação de mim, que é um ser independente mas ainda não se acostumou com a idéia. E esse é o momento de muita compreensão e paciência. Achei um texto ótimo sobre esse período e recomendo a leitura a quem estiver passando por isso também. Nada de "nana neném", de reclamações ou de chorar as pitangas neste momento. Agora é a hora de trazer as energias das profundezas do peito de mãe e vencer todo o cansaço e apoiar o bebê.
Hoje tirei o dia pra ficar com ela, principalmente a tarde quando o Lucca sai para a escola. A peguei no colo e ninei, ninei, cantei, até ela dormir. E depois ainda permaneci com ela em meus braços por mais algum tempo. Agora, ela está lá, dormindo, em paz. E espero com a certeza renovada de que a mamãe não é ela, mas que estará aqui pra sempre, ao lado dela, para apoiá-la em suas crises e cantar bem baixinho em seu ouvido, dançando, cheek to cheek...

Escrito originalmente em 16/04/2013

14 abril 2013

Minha Segunda Primeira Vez em Paris

 Minha duplinha no Louvre.

E na Torre Eiffel.

 Dando comida à Sofia no mesmo restaurante onde comemorei meu aniversário, há dois anos.

 Caminhamos muito!

 Na Place des Voges com sua arquitetura de mais de 400 anos, onde morou Victor Hugo. 
Não entramos pra conhecer sua casa mas brincamos muito num belo e moderno parquinho que tem na lá.


texto escrito em 20/03/13

Hoje estou em Paris.
Vim pra cá pela primeira vez há dois anos, a convite da Danone -Actimel, como Actimãe. Naquela viagem, apesar de sentir uma enorme saudade do Lucca, do marido, da mãe, do cachorro, da casa, conheci uma sensação deliciosa que é a de estar sozinha depois de tantos anos, num lugar desconhecido e maravilhoso, e descobrir que ainda era capaz de dar conta da situação ao sair à rua e ter que pegar o metro ou escolher e pedir o que comer num restaurante.
Todos os lugares tinham magia, tudo foi fácil e fascinante. Tudo era perto, iluminado e bonito. Foi tão legal que não sosseguei enquanto não consegui dividir tudo isso com meus amores Lucca e Fabricio. E como a Sofia chegou em nossas vidas nesse espaço de tempo, a exemplo do irmão, tiramos seu passaporte bem cedo pra nos acompanhar naquilo que mais amamos fazer: viajar.
Porém, e sempre existe um porém, desta vez estou conhecendo uma Paris bem diferente. Uma Paris ainda linda como sempre mas, uma Paris onde agradeço ao hotel por ter uma jarra elétrica no quarto, a qual seria apta ao preparo de um chá relaxante e na verdade vem sendo muito utilizada para fazer mamadeiras, dia e noite; água muito quente na pia, onde posso esquentar em banho-maria comidinhas de bebê e lavar roupinhas e utensílios. A Paris do Monoprix, um supermercado que vende água a preços dignos pois, uma coisa é tomar uma garrafinha de água do frigobar quando bate aquela ressaca e outra é usar quase quatro litros por dia para as mamadeiras e ainda para matar a sede de quatro pessoas. A Paris dos McDonald's limpos e lindos, com banheiros disponíveis a cada esquina para aquele xixizinho de criança que teima em sair muitas vezes ao dia por causa do frio. A Paris da Lego Store, da Disney Store, do Louvre das múmias, da Sacré Coeur do Carrossel e da Place de La Concorde da Roda Gigante. 
Ouso dizer que hoje estou conhecendo outra Paris: uma cidade aos olhos não mais e somente de uma mulher, mas aos olhos de uma mãe que está sempre buscando acessos para o carrinho de bebê, festeja ao entrar em banheiros com trocador e se sente acolhida quando encontra um garçom que sorri para seus filhos.
Há dois anos, eu olhava para a Torre Eiffel piscando e não acreditava estar ali. Me senti emocionada. 
Hoje, ao ver de perto a Torre piscando novamente, tendo meus três amores comigo, me senti realizada. 
São sentimentos diferentes mas ambos recheados de muito amor e dignos de mim, um a cada tempo, um em cada primeira vez... 

22 outubro 2012

Mêsversário da Sofia - 4 meses



Hoje a pequena Sofia completa 4 meses. 
Costumo dizer que esse comecinho passa muito rápido mas que eu vivo cada minuto dele com intensidade. 
Acabamos de passar por uma semana daquelas, com Pico de Crescimento na área e a mamãe ainda está se recuperando das mamadas de hora em hora, faça chuva ou faça sol.
Mas, ela é um doce. Muito sorridente, sempre feliz. 
Deus abençoe nossa família e o caminho da minha pequena. Parabéns, filhota!

Falando nisso...

Talvez seja um ótimo momento para relembrar esses dois assuntos: Pico de Crescimento e Salto de Desenvolvimento.
Achei no blog De Peito Aberto esses dois quadros que achei fantásticos e resolvi dividir com vocês:

Salto de Desenvolvimento



Seu bebê anda chorando muito? Não está dormindo bem? Só quer ficar no colo? Não se desespere, pode ser apenas um SALTO DE DESENVOLVIMENTO.
O fato é que os bebês não se desenvolvem em um ritmo constante, dando uma acelerada de tempos em tempos - são os saltos de desenvolvimento. O problema é que n o período que antecede os saltos o bebê de repente se sente perdido no mundo, pois seu sistema perceptivo e cognitivo mudou (segundo pesquisadores, tudo isso pode ser observado neurologicamente), mas ele ainda não se acostumou, então o mundo parece muito estranho. O que acaba acontecendo é que ele quer voltar à base, ao que é conhecido, ou seja, ao aconchego do colo da mãe. 
Trocando em miúdos, nessas fases eles ficam mais carentes, precisando de colo, e com freqüência também comem e dormem pior. A boa notícia é que depois de algumas semanas essa fase difícil passa e tudo volta à normalidade. Certamente há uma certa variação cronológica entre um bebê e outro, mas média observada (experimentalmente) por pesquisadores é a seguinte: 
*05 semanas / 1 mês 
*08 semanas /quase 2 meses 
*12 semanas /quase 3 meses 
*19 semanas /4 meses e meio 
*26 semanas /6 meses 
*30 semanas /7 meses 
*37 semanas / 8 meses e meio 
*46 semanas / quase 11 meses 
*55 semanas / quase 13 meses 
*64 semanas / quase 15 meses 
*75 semanas / 17 meses
Ainda segundo os autores, depois de uma crise o bebê de repente começa a fazer coisas que não fazia antes, dá um salto de desenvolvimento mesmo, e também fica mais feliz. Então durante as crises é só ter um pouco de paciência, cercando o bebê de amor, carinho e bastante aconchego, até que tudo volte ao normal.


Pico de Crescimento



De um dia pro outro seu bebê parece mamar e não ficar satisfeito. Os intervalos que eram de 2/3h passaram a ser de 1h30 ou menos... não é seu leite que esta secando, muito provavelmente trata-se de um PICO DE CRESCIMENTO.
É um fenômeno que ocorre em muitos bebês no qual estes solicitam mais mamadas do que de costume. Esta necessidade geralmente dura de poucos dias a uma semana, seguido de um retorno ao padrão menor de mamadas. A mãe costuma sentir como se não desse conta de produzir leite em quantidade suficiente para o bebê. 
Períodos comuns deste "picos de crescimento" ocorrem por volta dos: 
* 7-10 dias 
* 2-3 semanas 
* 4-6 semanas 
* 3 meses 
* 4 meses 
* 6 meses 
* 9 meses (mais ou menos). 

Então mamães, lembrem-se: Isso é absolutamente normal e nós vamos sobreviver, nós vamos sobreviver... Estou falando em voz alta pra acreditar também...rs!

16 outubro 2012

Meu grande e eterno bebê...



Hoje ele me disse, se agarrando a antigas fotos suas, que gostaria de voltar a ser um bebezinho. Lógico. Já era de se esperar essa constatação de uma criança tão sensível e tão inteligente como o Lucca.
Afinal, para os bebês fazemos vozes e caras e bocas. Para os bebês estamos sempre felizes. Os bebês não escutam nunca um "não". Os bebês nunca vão a escola e estão sempre no colinho de alguém. E, acima de tudo, o bebê tem o peito e tem a presença e os cuidados constantes da mãe.   
Hoje cedo, antes de me dizer isso, disse que queria que a Sofia não crescesse nunca, que ela deveria ser pra sempre um bebê. Expliquei que ser neném era chato porque eles não sabem conversar, andar ou brincar. Só sabem chorar, chorar e chorar.
Mas, acho que a idéia continuou a martelar em sua pequena e ingênua cabecinha. E então ele percebeu que, melhor do que a irmã nunca crescer, seria ele voltar a ser bebê também.
Como agir diante de tanta doçura, misturada com carência, acrescida de insegurança?
Ultimamente ele tem se mostrado um menino bem diferente do que sempre foi. Está difícil até mesmo para nós, os pais, entendermos e nos acostumarmos com o novo Lucca. Ele está mais moleque, mais sociável, mais agressivo, mais contestador. 
Acreditamos que um pouco seja ciúmes da nova situação que vem vivenciando, um pouco seja a idade - já é um garoto!, e um pouco seja por conta das gotinhas de homeopatia, que vem trazendo a tona o verdadeiro Lucca.
Mas, o que mais nos emociona e mais nos acalenta é que ele verdadeiramente ama a irmã e, apesar de por duas vezes já ter nos confessado na calada da noite que sente que deixamos de amá-lo depois que ela chegou, jamais demonstrou isso tratando-a sem carinho ou mesmo negando-lhe um sorriso.
Eles são apaixonados um pelo outro. E vice-versa. Ao quadrado.
Hoje chorei, com o coração partido de não poder entrar em sua cabeça e fazê-lo entender que sem ele nada existiria, que ele é meu grande amor, minha grande paixão e que amar a Sofia no mesmo grau, jamais vai tirar dele um milímetro sequer do meu sentimento. Quem é mãe de mais de um sabe disso.
O coloquei para dormir, com a Sofia no sling, como quase todos os dias faço, sentada de forma incômoda, mas sempre dando um jeitinho de segurar em sua mão. 
E hoje, especialmente, contei a história  de uma moça chamada Giovana, que era casada com um rapaz chamado Fabricio. Contei que eles tinham uma cachorrinha chamada Abigail mas que ela não cansava de pedir pro Papai do Céu um filho, um bebê em sua barriga. O Papai do Céu demorou muito tempo mas, um belo dia, ela descobriu que estava grávida e esse foi o dia mais feliz de toda sua vida. Nessa hora, ele se emocionou e chorou de forma contida. Continuei contando que quando o bebê nasceu, foi chamado de Lucca. Ele era lindo. Mamava muito, chorava pouco e todos se apaixonaram perdidamente por ele. O Lucca foi então crescendo. Com um ano começou a andar, com dois anos aprendeu a falar, largou as fraldas, foi à escola e seus pais perceberam que a cada dia ele ficava melhor. Quanto maior ele ficava, mais os pais o amavam, mais lindo e inteligente ele se mostrava e mais orgulhosos os pais ficavam. E a história continua mas, coincidência ou não, bem aí ele dormiu. Dormiu grande, com suas pernas compridas, no auge dos seus quatro anos e meio, agarrado à sua única ligação com os tempos de bebê...uma chupeta. Mal sabe ele que, em meu coração, será eternamente meu neném. 

19 julho 2012

A Sofia Nasceu - Meu Relato de Parto: "Durante"






Devidamente preparada, segui com o meu médico para o Centro Obstétrico. Ele me deixou lá com o Obstetra de plantão e com o Anestesista e foi se preparar. As Enfermeiras e Assistentes conversavam sobre seus horários de saída e sobre a lâmpada que havia queimado na outra sala. Aquilo geralmente me deixaria nervosa e irritada. 
Mas, mergulhei no "Entregar, Confiar, Aceitar e Agradecer" e, de certa forma, consegui sair daquele lugar. Pensava na Sofia, nas palavras da Adriana e me sentia muito distante e estranhamente calma, quase entorpecida mesmo. Quando alguém falava comigo, ficava até difícil de responder. Demorava alguns segundos pra computar a pergunta e formular a resposta.
O Anestesista fez então seu trabalho e tudo correu maravilhosamente bem. Logo deixei de sentir minhas pernas. Me deitei, meus braços foram presos e o Fabricio e a Adriana entraram. 
Senti várias vezes uma pressão sobre as minhas costelas e percebi que os médicos faziam força, empurrando a Sofia para baixo, a fim de retirá-la. Comecei a sentir então uma forte dor no meu pescoço. Minha hérnia dando sinal diante daquela posição incômoda. Imediatamente, o Anestesista aplicou um remédio no soro, e a dor passou, me deixando novamente a vontade.
De repente, o sorriso no rosto do Fabricio me disse que ela estava chegando! Todos então gritaram: Nasceu, ela nasceu! E o Fabricio disse: E já fez um xixizão! Ela demorou um pouco a chorar, mas logo ouvi sua voz. 
Me trouxeram a bebê e foi neste momento que fiquei particularmente mais emocionada e feliz, que me senti tratada como uma mulher dando à luz e não como a "paciente número tal que está na sala tal". 
Meu médico e o Anestesista soltaram minhas mãos, me deram a Sofia e colocaram ela em meu peito, para mamar. Ela ficou ali um tempinho, se habituando ao lado de fora, olhando tudo. A Pediatra de plantão também foi muito bacana pois liberou a Sofia antes dos procedimentos protocolares.  
Depois de alguns minutos comigo, ela foi para o colo do pai, conhecer os avós e tios que esperavam ansiosamente. Enquanto isso, recebi muito cafuné da Adri, que ficou me fazendo companhia.
Após mostrá-la a todos, diferentemente da outra vez, o Fabricio pôde retornar ao Centro Obstétrico e lá ficou, com a Sofia no colo, esperando o término da minha cirurgia.
Fui então para a recuperação e rapidamente já fui levada ao quarto. Não sentia dores, não sentia medo. Estava muito calma e feliz. Sei que fui muito amparada em todos os momentos e me senti muito realizada por eu, minha filha e meu marido, termos recebido um tratamento digno por parte dos médicos e da equipe médica do hospital. 
Esse parto foi minha redenção. Tudo que havia acontecido antes, se foi. Essa é a lembrança que tenho agora: uma cesárea necessária, após um trabalho de parto natural e o mais importante: humanizada. Como isso é importante...

Leia também: http://gielucca.blogspot.com.br/2012/07/sofia-nasceu-meu-relato-de-parto-antes.html

04 julho 2012

A Sofia Nasceu - Meu Relato de Parto: "Antes"

Malas prontas

Exercícios na bola e som no ouvido: 
Pink Floyd - Comfortably Numb e Pitty - Equalize, marcaram aquela tarde

Amor no pré-parto: meu companheiro!

Energia positiva, carinho e apoio da Adri: tudo o que eu precisava naquela hora

A gravidez contava com 38 semanas e 1 dia. Eu me sentia ótima, feliz, bem disposta e tranquila. Um dia antes, minha mãe havia voltado de viagem e fizemos as fotos para o meu álbum de gestante. Depois, ela ficou com o Lucca e nós, o casal, saímos para comemorar nossos 9 anos de casados. 
Eram por volta de onze horas da manhã e, após ir ao banheiro, reparei no papel higiênico uma gosminha amarelada. Corri pro Google Imagens e realmente tratava-se do meu tampão!
Liguei imediatamente para meu médico, que pediu para me ver por volta das duas da tarde e, em seguida, para minha doula, a Adriana Vieira. Ela estava em São Paulo e me passou instruções de exercícios com bola, banho quente e muito relaxamento.
Mandei então o Lucca para a escola e fui ao consultório do médico, onde ele confirmou: eu estava em trabalho de parto. Fiquei mega feliz! Era o que eu queria, que a Sofia me dissesse quando estivesse pronta para nascer. E estava com dois dedos de dilatação. Fui pra casa e ele marcou de me ver novamente às seis da tarde. Fiquei em casa ouvindo música, relaxando na bola, no chuveiro e arrumando as malas para o hospital. Não, elas não estavam prontas! 
Seis horas pegamos o Lucca na escola e fomos para a Casa de Saúde. A dilatação não havia evoluído nadica e as contrações já estavam a mil. Ele me mandou pra casa buscar minhas coisas e retornar em uma hora para internar. 
Conversei então com a Adriana e resolvemos aguardá-la para ir para o hospital. Ela chegou por volta das 21:30h e demos entrada com bola, aparelho de som, muita alegria e disposição. O Lucca ficou em casa com minha mãe e foi sendo informado aos poucos que a Sofia estaria chegando. 
Na sala de pré-parto, conversei muito com a Adriana e chegamos à conclusão de que o TP estava muito no começo ainda e que poderia demorar horas e horas para evoluir. Mas, conversando com o médico, ele não quis me liberar para eu aguardar em casa, afirmando que desejava estar o tempo todo ao meu lado, me examinando e examinando as condições da bebê.
Enquanto isso, não escapei dos procedimentos de praxe: tricotomia e lavagem. Mas, quando a enfermeira chegou com o "sorinho", tratamos logo de espantá-la, já que eu não queria mais dor e não queria que a história do parto do Lucca se repetisse. Nossa idéia era que tudo corresse naturalmente, com o equilíbrio da ocitocina natural de um lado e a endorfina do outro. 
Entre uma ida ao banheiro e outra, meu médico entrou no quarto e me examinou já dizendo de antemão que se não houvesse qualquer evolução, ele me levaria para uma cesárea por conta da minha cicatriz anterior. Examinou e constatou apenas dois dedos ainda de dilatação. Ele foi bastante duro e não abriu qualquer brecha para discussões. Eu fiquei chateada na hora e, mais uma vez, me senti uma vítima do sistema. 
Questionei o motivo de não me deixarem livre para o parto evoluir, para a dilatação evoluir. Mas, ele foi bem enfático e nós tivemos que acatar sua decisão mesmo não concordando. Isso porque naquele momento já não adiantava mais brigar. Não seria eu, uma mera mortal em trabalho de parto, que iria mudar a cabeça dele, do hospital, etc. Ele sabia da importância do PN pra mim e resolvi tentar aceitar e entender que se ele estava decidindo dessa forma, era porque era o melhor pra mim, fosse qual fosse o real motivo da decisão.
Nesse momento, pra quem acredita nisso como eu, intervenções de um outro plano começaram a se suceder. Toda a proteção que eu pedi, tudo aquilo que eu conversei com minha Terapeuta, todos os florais que tomei, começaram a surtir efeito daqui pra frente.
Passado o susto e a tensão iniciais, um sorriso nasceu em meu rosto e se refletiu nos rostos do meu médico e de todos que ali estavam. Minha filhota estava chegando!
Naquela hora em que a cesárea já era certa, eu precisava encarar meus temores e enfrentar meus medos para poder tê-la em meus braços.
E tudo começou a dar mais do que certo com o meu médico permitindo que a Adri acompanhasse a cesárea junto com o Fabricio. A presença dos dois no CO, eu sabia, me daria uma calma muito grande lá. 
Foi então que lembrei do Anestesista. Perguntei ao meu médico quem era e ele me disse assim: "Houve uma troca na escala e o Anestesista que estava não veio. E adivinha que assumiu o plantão? O Benê! O meu Anestesista preferido". Não acreditei quando ele disse. Tudo foi armado para dar certo. Não consegui contratar o Anestesista que eu queria por não ter data marcada de cesárea e, no final das contas, ele assume o plantão de outro médico e vem fazer o meu parto! Como assim? rs... O Benê entrou no quarto e conversou muito comigo. Escutou minha péssima experiência anterior, meu ouviu chorar, me tranquilizou muito e prometeu que não sairia do meu lado nem por um instante. Foi maravilhoso comigo. 
Mais uma etapa vencida e todos ansiosos para me levar para o Centro Obstétrico. Nesse momento, a Adri parou tudo e pediu um tempo para me preparar. Ela apagou a luz do quarto, fez uma oração comigo e com o Fabricio, nos disse palavras lindas, me transferiu lindos pensamentos e me passou um forte mantra para repetir dali pra frente:"Entregar, Confiar, Aceitar e Agradecer". Realmente, era tudo o que eu precisava. Foram palavras mágicas que me acompanharam durante todo o procedimento. Ela então me fez uma massagem e, enfim, eu estava pronta. 
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