Estava demorando para acontecer e aconteceu. Mas, isto já estava sendo previsto por mim para acontecer mais cedo ou mais tarde.
Tenho tentado evitar durante todo esse tempo de gestação pensar ou falar sobre o momento do parto. Sim, o momento tão aguardado por toda mulher, planejado, sonhado, pra mim é o momento mais evitado.
Hoje, de longe, não acho que o parto do Lucca tenha sido ruim. Afinal, ele chegou lindo, forte e saudável aos meus braços, e no fim das contas para uma mãe é o que acaba importando.
Mas, não nego: não tenho lembranças muito boas das tentativas (infrutíferas) de parto normal em que as contrações tomaram conta de mim mas a dilatação não avançava até que tive que correr para o Centro Cirúrgico para uma cesárea, já que meu bebezinho fez um cocozinho no meio do caminho.
Me lembro de estar triste, ansiosa, frustrada, com raiva do meu médico e apavorada de estar naquele local frio, cheio de desconhecidos, os quais eram todos iguais, com as mesmas roupas, e toucas, e máscaras. Ninguém foi carinhoso ou atencioso comigo. Foram estritamente profissionais. E eu, estritamente emocional. Chorava, sentia dores, estava com medo da anestesia. E ela não pegou. A sonda foi passada e a anestesia nada. E tomei mais uma e mais outra. Fiquei anestesiada até o nariz e não conseguia engolir minha saliva, respirar, estava com medo de engasgar. Estou vermelha e quente só de lembrar.
Queria muito acreditar que o parto da Sofia será diferente, mas não consigo. Tudo que passa pela minha cabeça, que aprendi com o que passei, é que com a mãe natureza não se planeja nada. Estava certa de que o parto do Lucca seria normal e lindo. E recebi uma cesárea chata e dolorida.
Queria acreditar que posso planejar um parto humanizado, um parto normal sem pressões ou simplesmente ter um anestesista escolhido a dedo.
Mas, temo que os hospitais da minha cidade não estejam prontos para o parto normal. Eles parecem não ter paciência, estrutura e até conhecimento para deixar rolar um verdadeiro trabalho de parto. Sem induções, sem sorinhos, sem descolamento de placenta e, principalmente, sem perigo para o meu bebê. Assim, temo me planejar de novo e me frustrar de novo. As mulheres que conheço que tiveram partos normais são aquelas verdadeiras parideiras, que não deram nem chance ao médico de indicar uma cesárea.
Ontem, num aniversário conversando com as mamães do amigos do Lucca, a cada relato de parto que eu ouvia, tinha vontade de sumir dali. Meu coração disparava, me sentia com falta de ar e medo.
Tenho quatro meses pra trabalhar isso e vou fazê-lo, até porque não tenho muita saída...rs! Conversarei muito com meu médico, com minha psicóloga, vou tomar meus florais, visitar hospitais, falar, ouvir e vencer esse pavor. Mas, no fundo mesmo, acho que eu queria estar "confortably numb" e só voltar para a realidade quando a Sofia querida estiver encaixada em meus braços...
